
sábado
Palhaçadas 2006 - Eu prefiro............

terça-feira
Loucura, loucura........
sexta-feira
Poema de um amigo
Eu Também...
Se te fiz chorar,
me perdoa,
Cada lágrima sua,
está na minha face também,
Se te fiz tristeza,
não se magoe,
Cada olhar vago seu,
o meu se perde também,
Se te fiz chateada,
me desculpe,
Cada pesar seu,
é meu também,
Se te fiz ferida,
cuida-se,
Cada ferida sua,
me arde também,
Senão te carinhei,
me considere,
Cada carinho ausente,
carente fiquei também,
Senão beijei,
não sinta falta,
Cada sonho,
te tive também,
Se te fiz sorri,
se lembre,
Cada sorriso seu,
meus lábios tem também,
Se te fiz suspirar, se alegre,
Cada suspiro,
provei também,
Se te fiz saudades,
esquece,
Cada instante,
sua falta tive também.
sábado
A pedido de meus amigos, republico o poema Atitude:
Atitude
Rimar faz mal,
coitado do poeta,
que por qualquer razão,
quer ligar, rimar, juntar.
Prefiro versos soltos,
pequenos e grandes,
cheios de gentes,
cantantes, falantes, antes.
Porra! O que eu faço?
versos e rimas,
narro fatos.
Reflito o momento,comento,
assuntos assim,
não vejo essência,
em fazer versos pra mim.
*Rodrigo Capella é poeta, escritor e jornalista. Autor de diversos livros, entre eles "Transroca, o navio proibido", que vai ser adaptado para o cinema pelo diretor Ricardo Zimmer. Informações: www.rodrigocapella.com.br
Meu cachorro é tarado por petisco.................................
Por Rodrigo Capella*
Uísque seria um cãozinho normal, se não fosse o seu incrível desejo de experimentar novos petiscos. Queijo, presunto, salame, mortadela. Não importa o sabor. Uísque é tarado por salgados e fica bravo quando Juliana, sua dona, passa muitos dias sem oferecer esses alimentos deliciosos.
O vício é tanto que o cãozinho não economiza seus truques a la Harry Potter para chamar a atenção de Juliana e ganhar o grande prêmio, um petisco. Ele faz de tudo. Destrói as meias, lambe o sofá e, de quebra, morde a bunda do carteiro, deixando marcas. Juliana fica envergonhada, pede desculpas, mas o carteiro não responde; sabe que isso ainda vai acontecer muitas vezes.
No fim do dia, um pouco antes do jantar, a pequena menina sempre acaba perdoando o cachorro e leva o pulguento para passear numa praça bem arborizada. Lá, observa um rapaz, atlético e sem camisa, que acena com uma das mãos. É Marcelo, um antigo namorado de Juliana. Terminaram há dois meses e a atração entre eles é muito grande.
O motivo da separação é, aparentemente, banal, mas pode ser facilmente compreendido. Após ir ao cinema e assistir o Código Da Vinci, a pequena menina convidou o namoradinho para entrar em casa e, quando abriu a porta, encontrou tudo destruído. Uma onda gigante parecia ter entrado na casa. Juliana olhou para Uísque, que estava escondido atrás da porta, louco por um petisco. Marcelo, que não arruma nem o quarto dele, saiu correndo, sem rumo, sem direção. Depois desse episódio, eles nunca mais se viram.
Juliana e Uísque continuaram a andar pela praça. Mendigos pediam dinheiro, pessoas andavam de bicicleta e um rapaz vendia bolinho de queijo. O cheiro rapidamente entrou nas narinas de Uísque. O cãozinho soltou-se da coleira e correu em direção ao carrinho, como se estivesse no cio atrás de uma cadelinha. O que se viu a partir daí foi um verdadeiro show de horror. Uísque lambeu o vendedor, derrubou o carrinho e comeu quase toda mercadoria. Juliana não tinha dinheiro para pagar o prejuizo e teve que chamar os país. A pequena menina e o cãozinho acabaram trancados num canil e, se não fosse a mãe dela ter remorso, dormiriam a noite lá, ao relento, passando frio e fome.
Mas, essa não foi a situação mais absurda que Juliana viveu. Ela se lembra de outras. Uísque, num belo dia, decretou greve de fome. O motivo dessa travessura: ele não recebeu petiscos durante quase uma semana. Juliana indignou-se e não teve dúvida: ignorou o cãozinho, que acabou triste e doente. A menininha mostrou-se arrependida e abraçou Uísque, como se ele fosse um ursinho de pelúcia bem peludo. No dia seguinte, o cachorrinho ganhou uma grande caixa de petiscos e abanou o rabo durante três horas.
Juliana lembra-se de muitas histórias protagonizadas por Uísques, algumas até estão anotadas no diário da menininha, que dá muitas risadas quando se lembra dos fatos. No último Carnaval, a dupla dinâmica viajou para Florianópolis, onde a tia de Juliana tem uma casa enorme, com piscina, piano e bananeira.
Quando chegou ao jardim, Uísque, não titubeou, e rapidamente comeu as rosas vermelhas, que estavam lindas e cheirosas. A tia de Juliana berrou longamente e Uísque correu para se esconder debaixo da mesa. O motivo dessa travessura: ele não recebeu petiscos durante quase uma semana.
Depois de todas essas esquisitices, Juliana aprendeu a lição: o Uísque deve comer petisco todos os dias, senão ele fica louco e comete maluquices, inexplicáveis até mesmo para a ciência canina. A pequena menina sabe também que todos os cães, assim como os homens, têm defeitos e que esses devem ser respeitados para que a convivência fique cada vez mais harmoniosas e saborosas, assim como os petiscos. Hum...
(*) Rodrigo Capella é escrito, poeta e jornalista, autor de vários livros, entre eles "Como mimar seu cão" e "Transroca, o navio proibido", que vai ser adaptado para o cinemas. E-mail: contato@rodrigocapella.com.br
segunda-feira
XXXXXXXXXXXXXXXX
Por Rodrigo Capella*
Trovões, mundo aqui
Não quero dizer,
Não vou pensar,
Me deixe, quero calar!
Adormecida estás,
Entorno da ilha,
Querendo gritar,
Ao som de uma gralha.
Fogo cruzado,
Amor desgastado,
Estou aqui,
Por enquanto, calado.
(*) Rodrigo Capella é poeta, escritor e jornalista. Informações: www.rodrigocapella.com.br
domingo
Esqueça, esqueça!!!!!!
Por Rodrigo Capella*
O orgulho perpétuo em linha,
se faz preciso,
chega a ser inexistente,
alcança o patamar da esperança,
mas não evolui.
Ambiente tenso e fechado,
percorre condições inusitadas,
no eterno calafrio minh' alma.
Ambiente torna-se orgulho,
ambos competem por momentos,
ambos querem ser destaque,
Por que temos que aparecer,
se o ser humano tende a nosesquecer?
Imune
Percorres jeito,
assumes tempestade,
procuras majestade,
quer ser alguém,
mitos!
Imito, ao céu tenso,
no caminho percorre,
ventos,
exala perfume,
me faz imune.
*Rodrigo Capella é poeta, escritor e jornalista. www.rodrigocapella.com.br
Imune
Percorres jeito,
assumes tempestade,
procuras majestade,
quer ser alguém,
mitos!
Imito, ao céu tenso,
no caminho percorre,
ventos,
exala perfume,
me faz imune.
*Rodrigo Capella é poeta, escritor e jornalista. www.rodrigocapella.com.br
sábado
Mais uma polêmica......
Por Rodrigo Capella (*)
Muito se tem falado que o déficit de leituras no Brasil só pode ser solucionado com um maciço investimento em alfabetização, vindo de iniciativas privadas ou públicas. Puro engano. Ensinar as pessoas a escrever os respectivos nomes não contribui para o aumento dos livros lidos.
Precisamos, sim, de um programa baseado no conceito de letramento. Justificando: a pessoa toma gosto pela leitura somente quando entende o que está lendo e constrói mentalmente os cenários descritos, envolvendo-se com cada uma das páginas, letra a letra.
Esse contexto, embora óbvio e essencial, está presente em menos de 10% das escolas e universidades brasileiras, segundo dados que obtive junto a profissionais dessa área. A explicação: na maioria das instituições, crianças e adolescentes são submetidos a tarefas desgastantes, principalmente a de ler livros difíceis e, posteriormente, realizar uma prova sobre a história, conflitos e personagens apresentados.
Atividades como essa contribuem e muito para que, infelizmente, leitores traumatizados e angustiados se afastem definitivamente dos livros, por melhor que esses sejam. Fica claro, então, que a leitura, seja ela em âmbito escolar ou familiar, não deve ser obrigatória, e sim estimulada a todo instante.
Uma alternativa é deixarmos de lado as normas existente e desenvolvermos atividades associadas ao letramento, apresentado anteriormente. O método: professores e pais criam tarefas educacionais, como por exemplo, a encenação de um trecho do livro, e mostram, para as crianças e adolescentes, que a leitura é importante para despertar a criatividade, enriquecer o vocabulário, se escrever corretamente e até mesmo construir novas amizades.
Com essa postura, formamos leitores interessados em ultrapassar as fronteiras do conhecimento, em traçar metas ousadas e em devorar Machado de Assis, Sir. Athur Conan Doyle e as mais complicadas obras de Gabriel García Márquez. E o melhor: quem se apega aos livros, dificilmente consegue viver sem eles.
(*) Escritor e poeta.
Por que lemos pouco?
por Rodrigo Capella*
O brasileiro lê, em média, um livro por mês. Não se trata de uma
estatística precisa, mas sim de um número calculado após muita observação.
Justificando: o tempo para lazer é relativamente curto e as pessoas têm poucos
minutos para se dedicar á leitura e absorver os conhecimentos escritos, que
podem ir desde a uma palavra nova até curiosidades sobre a vida de personagem
históricos.
Pode-se também viajar ao Japão em poucos segundos e conhecer uma
cultura totalmente diferente; pode-se reviver a época de ouro dos Beatles;
pode-se sonhar com momentos maravilhosos num mundo cada vez mais agitado.
Nessa pressa de mundo globalizado, não é raro, portanto, encontramos
homens e mulheres olhando fixamente para o livro enquanto se penduram num ônibus
lotado ou devorarem páginas e páginas na sala de espera do dentista ou ainda
sentarem no banco da praça e dedicarem algum tempo do almoço para virar duas
páginas e interpretar algumas figuras.
O esforço é louvável, embora insuficiente. Na Europa, lê-se três livros
por mês, totalizando trinta e seis ao ano, um número bem expressivo perto da
marca brasileira que, quando muito, chega aos doze anuais. Eis a pergunta que,
infelizmente, precisa ser feita:
Por que o brasileiro lê pouco? A preguiça é o principal fator e,
normalmente, vem associada ao desinteresse pela leitura. Como desculpa, dizem
que o tempo para lazer é curto. A população e os críticos literários assimilaram
essa informação com tal força e sustentam como se ela fosse verdadeira,
enganando a todos e estagnando um processo vicioso. Dessa forma...
Está na hora de uma verdadeira revolução no mundo das letras, com
propostas, metas e ações bem definidas. O livro deve estar sempre ao lado do
abajur, na mesa da sala, do lado do computador, debaixo do braço. Ele, em poucas
palavras, deve ser incorporado ao cotidiano dos brasileiros.
Motivo: a leitura estimula a imaginação, auxilia o homem a buscar
soluções para os problemas do mundo e, de quebra, constrói um país de leitores,
característica que, infelizmente, anda muito em falta por aqui e dificilmente
será mudada. Por que?
A preguiça, conforme dito anteriormente, está enraizada no povo
brasileiro, que sonha em ser primeiro mundo, mas esquece que uma boa educação
começa na leitura do primeiro parágrafo de um livro, nas primeiras palavras de
um texto e na atitude de dedicar poucos minutos á leitura de livros
enriquecedores.
(*) Rodrigo Capella é escritor e poeta. Autor de vários livros, entre
eles Como mimar seu cão e Transroca, o navio proibido, que será adaptado para os
cinemas.
terça-feira
Poema para beber!!!!!!!

Dizem que falo "obrigada",
Tô nem aí me dou risada,
A vida continua,
Toda nua.
Da barriga, o homem vem,
E depois debocha,
Queria ver,
Se todas as mães fossem brochas.
Fortes, palavras femininas,
Colorido, não falta,
Areia, luz e flauta.
Porra!
Amplo, conceito,
Falar das mas masculinas?
Foda-se o preconceito!
Tênis, carro, vídeo,
Que graça tem?
Prefiro cachaça,
Que minha vizinha serve como ninguém.
quinta-feira
Chuva, Chuva, Fuja!
terra, de mim desgastada,
entre ofícios e ócios,
vida apagada.
Tempo de ternura e agonia,
vento com chuva carregada,
prefiro momento controlado,
vida, tempo confiscado.
Quadro sem luz,
caminho tortuoso de moral.
Ternura, agonia, fuja,
enquanto é carnaval.
segunda-feira
Fernanda Montenegro
Fernanda Montenegro pode filmar "Transroca, o navio proibido"
O site O Fuxico revelou que a atriz Fernanda Montenegro pode fazer parte do elenco do filme "Transroca, o navio proibido", que será dirigido pelo cineasta Ricardo Zimmer, diretor de "Catarina" e "O Exército de Um Homem Só".
De acordo com o site, a trama do livro "Transroca, o navio proibido", de Rodrigo Capella, se passa a bordo de um navio que faz um cruzeiro por um lugar fictício, Perúsia Grande, e tem como destino a cidade de Parja. A bordo estão Kall, o detetive, e sua mulher Amanda, em lua-de-mel. Durante a viagem, um assassinato deixa os passageiros estarrecidos e coloca o detetive em ação.
quarta-feira
Poema Inédito

Na gaveta
Por Rodrigo Capella*
De perolas verdes, meu amor é você,
Do passar a língua nos lábios,
O caminhar bem perto,
De mãos quentes e úmidas
até
minha timidez florescer.
Desde a infância, declarações trazem
Sentimentos que tenho por ti,
Brincadeiras e linhas escritas,
Você é a luz
Nesse movimento de vai e vem.
De amigos a amantes, o movimento do
Som,
a conversa rotineira
dos passeios livres
nos campos a primavera
não saem da minha mente,
por qualquer distração.
Dos vídeos registrados, vejo presença de
Sorriso,
A alegria de seus abraços,
O jorrar de idéias,
Guardadas na primeira gaveta.
Do toque na foto da revista,
essas imagens são criadas
para tristeza do poeta,
que imagina tudo,
mas nunca concretiza.
(*) Rodrigo Capella é escritor, poeta e jornalista. E-mail: contato@rodrigocapella.com.br
domingo
Antologia Poética

(*) Rodrigo Capella é poeta, escritor e jornalista. Autor de vários livros, entre eles "Como mimar seu cão" e "Transroca, o navio proibido", que vai ser adaptado para o cinema pelo cineasta Ricardo Zimmer. E-mail: contato@rodrigocapella.com.br
sexta-feira
Flap, eu vou!
Seguindo o tema Embates, com a proposta de debater
visões distintas sobre literatura e manter vivo um terreno fértil de
questionamentos, a FLAP! 2006 recebe diversos debates com a presença de
escritores, professores, editores, cineastas e muito outros participantes.
Como sempre, o evento é gratuito e aberto ao
público em geral. A programação inclui debates sobre políticas culturais,
periferias e ainda arenas para uma reflexão sobre o presente e o futuro da
literatura (“onde estamos?” e “para onde vamos?”).
No Blog e no Site do Projeto Identidade consta a programação
confirmada.
BLOG: http://flap2006.blogspot.com
Mais informações: www.ProjetoIdentidade.org
Comunidade no Orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=13462545
Pré-Inscrições: basta enviar e-mail ao inscricao@projetoidentidade.org
Rio de Janeiro: dias 22 e 23 de julho
UniverCidade (Unidade
Ipanema)
Av. Epitácio Pessoa, 1664.
São Paulo: dias 29 e 30 de
julho
Espaço dos Satyros I
Pça. Roosevelt, 214, Centro.
segunda-feira
Comentário surpreendente
Amigos, recentemente eu fiquei bastante surpreso. O motivo: Guilherme Vaz, conceituado maestro e músico, fez uma análise muito positiva sobre o meu poema Arado. Confira o que disse Guilherme Vaz.
O COMENTÁRIO:
"Confesso com clareza que esta mudança de semântica proposta pelo poema de Rodrigo Capella, do ícone "bem amado" para o super ícone "bem arado" ou " o bem-arado" é um achado filosófico de altíssima relevância porque o conceito liga-se "arar" bela palavra primitiva portuguesa que significa cultivar a terra e a troca do conceito de bem-amado para o "bem cultivado" é extraordinária e tem amplas ligações com a filosofia a mitologia e uma "arqueofilosofia". O bem arado neste mundo "rústico" luso-galaico seria similar de "o bem cultivado" o que alpem de ser verdadeiro inclui um conceito mais amplo e menos passivo e mais ativo "ao casal da dupla mística" o espírito e o corpo ou a alma onde ela seria "vem cultivada" pelo espírito num conceito não presente nem em San Juan de La Cruz la noche mística que fala dos "pares místicos" do espírito que "cultiva" a alma e nem no seu similar e fonte original: o "cântico dos cânticos" atribuído a Salomão. Lindo!
GUILHEME VAZ:
Artista conceitual, visual e sonoro, Guilheme Vaz nasceu em Araguari, em 1948, e tem forte atuação no mundo da escrita e do cinema, sendo constantemente chamado para compor trilha sonoras de longa-metragem. Ganhou vários prêmios, entre eles o de melhor trilha sonora para "Filme de Amor", no 36º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em 2003. Para mais informações, clique aqui.
O POEMA:
Em constante harmonia,
O triunfo a toda vista,
Corres, a vida breve,
sábado
Uma conversa com o mestre
Rodrigo Capella entrevista Moacyr Scliar
Rodrigo Capella: O que um livro precisa ter para ser bom?
Moacyr Scliar: A resposta está no tripé: prazer - emoção - idéias. A leitura deve ser prazerosa, deve mobilizar emoções (inclusive a emoção estética do texto bem escrito) e assim transmitir idéias
Rodrigo Capella: A literatura brasileira está melhorando?
Moacyr Scliar: Muito. Novos valores estão surgindo, novos temas estão sendo abordados. Não há razão para pessimismo em relação a nossa literatura.
Rodrigo Capella: Como você avalia o fato de muitos escritores serem jornalistas?
Moacyr Scliar: É basicamente a atração pela palavra escrita, partilhada tanto por escritores como por jornalistas.
SOBRE MOACYR SCLIAR
Hobby: Ler.
Cor: Azul.
Livro: "Metamorfose", de Franz Kafka.
Cidade: Praga.Ator: Paulo Cesar Pereio.
Atriz: Fernanda Torres.
Frase: Não te expliques, não te queixes.
Currículo: Jornalista e escritor, Moacyr Scliar é membro da Academia Brasileira de Letras e já publicou vários livros.
Na telona
A adaptação de uma obra literária para o cinema requer muitos e especiais cuidados. O cineasta Ricardo Zimmer sabe muito bem disso. Seu próximo filme, "O exército de um homem só", será baseado em livro homônimo do escritor e jornalista Moacyr Scliar, que narra a saga do russo Mayer Guinzberg. Ele chegou em Porto Alegre quando criança, na década de 20, e ao longo dos anos transformou-se numa figura marcante da sociedade gaúcha, ocupando cargos expressivos como o de líder de uma comunidade utópica, a Nova Birobidjan.
Depois de concluir a fase de captação de recursos e conseguir aproximadamente R$ 10 milhões para o projeto, Zimmer finaliza uma nova versão do roteiro motivado pela difícil tarefa de simplificar uma linguagem rica em elementos do corpo humano, decorrente, é claro, da formação médica do escritor: "Um filete de sangue corria pela testa. O Capitão tocou-a com a ponta dos dedos; estava quente. Vivia, estava machucada, mas vivia".
Embora seja complicado, deixar a história de Scliar redonda para o cinema é apenas um dos desafios de Zimmer. Até porque ele escolheu uma obra que não mostra com clareza vários elementos. Talvez aí esteja o seu charme. Livros atuais como "Rota 66", de Caco Barcellos, e o "Xangô de Baker Street", de Jô Soares, entregam tudo de bandeja, limitando a criatividade dos cineastas. A riqueza de detalhes dessas obras minimiza o processo criativo.
Zimmer precisou, então, ler e reler o livro para só depois escolher os atores e os cenários vividos por Mayer Guinzburg, um judeu comunista, que, pelas aventuras e loucuras descritas, pode ser comparado ao Dom Quixote. Em alguns momentos de solidão, por exemplo, ele encontra homenzinhos de quinze centímetros apresentados como o subconsciente de Mayer: "Os homenzinhos aplaudiram. Mayer tirou o casado, arregaçou as mangas. Ia começar a limpeza no local, quando bateram à porta. A princípio ele fingiu não ouvir; mas as batidas se repetiam de maneira tão frenética que ele acabou abrindo a porta", conta o autor no livro.
Homens de quinze centímetros? Acertadamente, Zimmer fugiu à proposta do livro e não vai utilizar homenzinhos no longa. Eles serão substituídos por anões vestindo roupas medievais, tocando instrumentos musicais e conduzindo marchas revolucionarias. Tudo isso para dar um tom mágico à obra.
Durante alguns ensaios, a idéia, inspirada no longa "Willow, na Terra da Magia", de Ron Howard, mostrou-se muito eficaz e algumas cenas do encontro do personagem com os anões ganharam em importância. Se seguisse a história à risca, o diretor transformaria "O exército de um homem só" em uma animação da Disney. Rompendo-a ele agregou um diferencial ao filme.
Outra preocupação que incomodou a cabeça de Ricardo Zimmer durante muito tempo foi a escolha dos atores principais da película. Pelo que tudo indica o elenco será de peso e contará, inclusive, com a participação especial da atriz e cantora norte-americana Barbra Streisand, que atuou brilhantemente em "Funny Girl", de 1968, e arrematou o prêmio máximo do cinema – o Oscar. Além de Barbra, o longa terá no elenco Luciano Szafir (Xuxa e os Duendes 2), José Vitor Castiel (da novela Laços de Família) e a musa Cristiana Oliveira (O gatão de meia idade).
"O Exército de Um Homem Só" ainda não foi rodado, mas tudo indica que será um grande filme. A história é boa e ousada; o diretor teve felling para propor mudanças. Quem ganha com isso é o público que certamente terá uma diversão recheada de ingredientes hollywoodianos: atores famosos, roteiro dinâmico, luz e som adequados. E o melhor de tudo - um final comovente: "Vacila, apóia-se no sofá. As luzes se acendem. É para frente que o Capitão cai. Mergulha no mar escuro". Vamos aguardar!
