Este é o blog oficial do jornalista, assessor de imprensa, palestrante e escritor Rodrigo Capella

terça-feira

Mais uma polêmica!!!


O Brasil precisa de leitores

Por Rodrigo Capella (*)
Muito se tem falado que o déficit de leituras no Brasil só pode ser solucionado com um maciço investimento em alfabetização, vindo de iniciativas privadas ou públicas. Puro engano. Ensinar as pessoas a escrever os respectivos nomes não contribui para o aumento dos livros lidos. Precisamos, sim, de um programa baseado no conceito de letramento.
Justificando: a pessoa toma gosto pela leitura somente quando entende o que está lendo e constrói mentalmente os cenários descritos, envolvendo-se com cada uma das páginas, letra a letra.Esse contexto, embora óbvio e essencial, está presente em menos de 10% das escolas e universidades brasileiras, segundo dados que obtive junto a profissionais dessa área.
A explicação: na maioria das instituições, crianças e adolescentes são submetidos a tarefas desgastantes, principalmente a de ler livros difíceis e, posteriormente, realizar uma prova sobre a história, conflitos e personagens apresentados.Atividades como essa contribuem e muito para que, infelizmente, leitores traumatizados e angustiados se afastem definitivamente dos livros, por melhor que esses sejam.
Fica claro, então, que a leitura, seja ela em âmbito escolar ou familiar, não deve ser obrigatória, e sim estimulada a todo instante. Uma alternativa é deixarmos de lado as normas existente e desenvolvermos atividades associadas ao letramento, apresentado anteriormente.
O método: professores e pais criam tarefas educacionais, como por exemplo, a encenação de um trecho do livro, e mostram, para as crianças e adolescentes, que a leitura é importante para despertar a criatividade, enriquecer o vocabulário, se escrever corretamente e até mesmo construir novas amizades.
Com essa postura, formamos leitores interessados em ultrapassar as fronteiras do conhecimento, em traçar metas ousadas e em devorar Machado de Assis, Sir. Athur Conan Doyle e as mais complicadas obras de Gabriel García Márquez. E o melhor: quem se apega aos livros, dificilmente consegue viver sem eles.
(*) Rodrigo Capella é escritor, poeta e jornalista. Autor de vários livros, entre eles “Transroca, o navio proibido”, que vai ser adaptado para o cinema.

sábado

Artigo


Quando a Copa vai acabar?

Por Rodrigo Capella*

Não agüento mais. É Ronaldo pra cá, bolha pra lá e o Galvão falando "bem amigos da Rede Globo". Como se não bastasse ainda tem: trânsito nas avenidas, ambulantes chatos vendendo camisetas "meia boca" e vinte e dois homens pisando em cima de uma grama até então bem conservada.

O circo da Copa do Mundo é entediante e me incomoda mais do que três elefantes gordos e barulhentos. A única coisa que presta, nessa época de bola na rede, são os livros que tocam, levemente ou profundamente, em alguma linha futebolística.

Não que esse tipo de assunto me agrade, mas irrita menos do que assistir a um jogo de futebol, por melhor que ele seja.

Acho que peguei o virus anti-futebol, anti-Copa, anti-gol. Gostaria que esse maldito torneio tivesse um fim imediato. Justificando: o circo Copa do Mundo não vai mudar o país, não vai melhorar a nossa qualidade de vida.

Ah! Que vida. Que tédio. Vou fechar as janelas, desligar a TV, ler um livro. Página a página, descubro-me um E.T, isolado num mundo que poucos conhecem: o da leitura.
Boa Copa a todos.

(*) Rodrigo Capella é escritor, poeta e jornalista. Autor de vários livros, entre eles "Transroca, o navio proibido", que vai ser adaptado para o cinema.

domingo

Obrigada

Obrigada

Por Rodrigo Capella (*)

Dizem que falo "obrigada",
Tô nem aí me dou risada,
A vida continua,
Toda nua.

Da barriga, o homem vem,
E depois debocha,
Queria ver,
Se todas as mães fossem brochas.

Fortes, palavras femininas,
Colorido, não falta,
Areia, luz e flauta.

Porra!

Amplo, conceito,
Falar das mas masculinas?

Foda-se o preconceito!

Tênis, carro, vídeo,
Que graça tem?
Prefiro cachaça,
Que minha vizinha serve como ninguém.(*)

Rodrigo Capella é poeta, escritor e jornalista. Autor de vários livros, entre eles "Transroca, o navio proibido", que vai ser adaptado para os cinemas.

terça-feira

Entrevista au au au


Amigos, em maio eu fui entrevistado pelo conceituado jornalista e escritor Rivaldo Chinem, que comanda o programa "Biblioteca Virtual", na Rádio Mega Brasil. Conversamos sobre o meu livro "Como mimar seu Cão", que traz cinquenta dicas para os donos de cães cuidarem melhor de seu animal de estimação.
A Rádio Mega Brasil é a primeira rádio online do Brasil e vem alcançando ótimos índices de audiência. Acesse: http://www.megabrasil.com.br ou clique no logo da Rádio.

sábado

Do papel para o cinema...




O mais novo livro do jornalista e escritor Rodrigo Capella, "Transroca: o navio proibido" (Zouk, 2005), será adaptado para o cinema pelo cineasta Ricardo Zimmer, diretor de "Catarina" e "O Exército de Um Homem Só". A trama de "Transroca: o navio proibido" se passa a bordo de um navio que faz um cruzeiro por um lugar fictício, Perúsia Grande, e tem como destino a cidade de Parja. A bordo estão Kall, o detetive, e sua mulher Amanda, em lua-de-mel. Durante a viagem, um assassinato deixa os passageiros estarrecidos e coloca o detetive em ação.

O cineasta Ricardo Zimmer justifica porque escolheu o livro para adaptar para o cinema: "o clima de mistério, de intrigas e de suspeitos multifacetados é contagiante até as últimas frases quando então surpreendentemente Kall, revela o criminoso", argumenta o diretor, destacando que "a resposta tão bem construída pelo autor, revela-nos o mundo de homens que matam por interesses, amor, futilidades, ciúmes e medos".

Além de "Transroca: o navio proibido", Capella lançou "Como mimar seu cão" (Zouk, 2005) e "Enigmas e Passaportes" (Forever, 1997). Contato com o autor: www.rodrigocapella.com.br ou contato@rodrigocapella.com.br





quinta-feira


Calado

pOR rOdriGO CapEllA*



Trovões, mundo aqui
Não quero dizer,
Não vou pensar,
Me deixe, quero calar!


Adormecida estás,
Entorno da ilha,
Querendo gritar,
Ao som de pássaros.

Fogo cruzado,
Amor desgastado,
Estou aqui,
Por enquanto, calado.
(*) poeta, escritor e jornalista. Autor de
vários livros, entre eles "Como mimar seu cão"
e "Transroca, o navio proibido", que será adapatado para os cinemas.

domingo

Prefácio do livro "Como mimar seu cão"


Amigos, atendendo a pedidos, eu publico abaixo o prefácio do meu livro "Como mimar seu cão". O prefácio foi escrito pelo premiado cineasta Carlos Reichenbach:


Foi por causa de uma fotografia da Brida, a adorável "Bichon Bolonhês" que divide a cama comigo e a minha mulher, dormindo sempre em baixo dos meus pés, que o autor do livro sugeriu meu nome para esta orelha.
Minha cumplicidade canina começou logo cedo, dos três aos nove anos de idade, compartilhando uma amizade mais que fraterna com Taro, um velho boxer adorável e babão, dissimuladamente carrancudo.

Taro não só me defendia das agressões habituais dos "amiguinhos" mais afoitos e valentes como ainda tomava as minhas dores e culpas pelas travessuras cotidianas. Quando eu não queria comer o bife de fígado ou o creme de espinafre que minha mãe insistia em incluir no meu cardápio semanal, era Taro quem "limpava o prato" às escondidas. Flatulências naturais, advindas da ingestão de batata doce e repolho azedo, também eram assumidas pelo gentil Taro, já que o glutão e obeso boxer era, por seu lado, perito em tal prática.

Até as minhas cuecas sujas eram "culpa" de Taro. Que amigo fabuloso este! Quando ele morreu, descobri que eu poderia morrer também e tenho certeza que neste dia o mundo perdeu a inocência.De lá até os meus atuais 59 anos são mais de 40 ou 50 "irmãos de universo" acolhidos no erário da memória.

Entre eles, Charuto, o boxer bastardo de cor preta, que quebrou a mandíbula no traseiro de um ladrão que invadiu a casa do meu pai, no final dos anos 50; Pinga e Conhaque, um majestoso e brincalhão casal de "dinamarqueses"; Toy, o cocker spaniel inglês, de sobrenome suntuoso e pedigree refinado, meu parceiro e confidente do curso ginasial; de Bambina, uma pequinês temperamental, que tinha o péssimo hábito de avançar nas minhas futuras namoradas; de Julie, a poodle-toy, que morreu de enfisema na época em que eu fumava três maços de cigarro por dia....


É engraçado, só agora me dou conta de que posso falar cobras e lagartos de certas ex-namoradas e amigos ressentidos, mas não consigo ter sequer uma lembrança ruim de qualquer amigo canino.


Acho que apliquei com eles todas as lições sugeridas neste livro, embora eu continue tendo a impressão de que não é bem (ou só) de cachorros que Rodrigo Capella esteja falando.

Carlos Reichenbach

segunda-feira

Em ano de Copa do Mundo, eu faço contagem regressiva para o Natal.....

Cupim de Natal

Por Rodrigo Capella*

A árvore piscava com tal fervura, bolas brancas e vermelhas davam o realce, enfeites de laços e cavalos carregavam ternura, no olhar da criança.

Piscava num ritmo prolixo, fixamente olhava o enfeite mais alto, era um papai noel no topo da árvore, despertando nuança no olhar meigo.

A criança, enfeitiçada estava, a admirar o falso real, a crer que papai noel iria, descer da árvore e dá-lhe, um beijo no rosto.

Observava a árvore diariamente, como se buscasse um algo mais, percorria ao redor dos galhos, sentia o perfume vago.

Fixava os olhos atrás da árvore, abria e fechava a porta do armário, passava a mão num furo, feito por cupim.
Observava a árvore, canto por canto, estava quase aos prantos, queria ver se o furo, ia contaminar os enfeites, derrubar os galhos, estragar papai noel e paralisar os cavalos.


(*) Rodrigo Capella é poeta, escritor e jornalista. Autor de diversos livros, entre eles "Enigmas e Passaportes", "Como mimar seu cão" e "Transroca, o navio proibido". E-mail: contato@rodrigocapella.com.br

sábado

Ganhe Livros

O Cineminha sorteia dois exemplares do livro Transroca, o navio proibido, de Rodrigo Capella. A obra vai ser adaptada para o cinema pelo cineasta Ricardo Zimmer, diretor de "Catarina" e "O Exército de Um Homem Só". Para concorrer, clique aqui

Os filmes da minha vida

O filme só é bom quando me surpreende e acrescenta elementos novos ao meu estilo de vida. Não gosto de assistir películas que são inertes aos acontecimentos socioculturais e priorizam a ficção absurda a la "Missão Impossível". Os gêneros dos filmes listados abaixo variam desde a uma boa comédia ao suspense bem construído. Você já assistiu a algum deles?

"Uma Mente Brilhante" (2001):
Com roteiro de Akiva Goldsman, o diretor Ron Howard traz aos cinemas a história de um matemático, muito bem interpretado por Russell Crowe. A arquitetura se faz dinâmica do início ao ápice da trama, ora apresentando elementos reais, ora sobrepondo-os aos ideais surrealistas de um homem que supera obstáculos, retorna à sociedade e vence o prêmio Nobel de Matemática. Filme vencedor de quatro Oscars, incluindo melhor filme e melhor diretor.
Diretor: Ron Howard.
Roteiro: Akiva Goldsman.


"O Colecionador de Ossos" (1999):
O melhor suspense de todos os tempos, deixando para trás clássicos como "Seven - Os Sete Crimes Capitais" e "Efeito Borboleta". Todo cuidado é pouco para a dupla Denzel Washington e Angelina Jolie, que correm contra o tempo para estudar pistas e solucionar uma série de crimes bem executados. Respire fundo e prepare-se. "O Colecionador de Ossos" vai lhe oferecer momentos de fortes batimentos cardíacos.
Diretor: Phillip Noyce
Roteiro: Jeremy Iacone.


"Garotas do ABC" (2004):
Película do premiado diretor Carlos Reichenbach, "Garotas do ABC" aborda temas polêmicos e não-digeridos pela sociedade ao narrar com força as aventuras de Aurélia e seu namorado Fábio Tavares. Racismo, drogas e dependência sexual são apresentados por novos ângulos, sem fugir da realidade tal como ela é e, por muito tempo, será.
Diretor: Carlos Reichenbach
Roteiro: Carlos Reichenbach e Fernando Bonassi.


"Dona Flor e seus dois maridos" (1976):
Divertimento constante, com belas cenas e piadas sem cortar bruscamente as seqüências. Sensual e inovador, ao ressuscitar um morto, o longa de Bruno Barreto mereceu uma grande bilheteria. Até hoje, "Dona Flor e seus dois maridos" é estudado nas academias e lembrado por quem realmente gosta de cinema brasileiro.
Diretor: Bruno Barreto.
Roteiro: Bruno Barreto, Eduardo Coutinho e Leopoldo Serran.


"Gabriela" (1983):
Muito sexy, Sonia Braga brilha nesse outro filme de Bruno Barreto. O longa faz uma análise precisa sobre o coronelismo brasileiro, apresentando o luxo da sociedade do início do século XX, composta por intelectuais, mas também por trambiqueiros, prostitutas e outros personagens ofuscados.
Diretor: Bruno Barreto.
Roteiro: Bruno Barreto, Flávio R. Tambellini e Leopoldo Serran.


"E.T." (1982):
Não gosto de filmes muito ficcionais e sem realidade, mas a forma como foi trabalhado caracterizou "E.T". como uma película de sentimentos e aventuras inteligentes, levando-me a reservar um espaço na estante para esse surpreendente e genial longametragem, o melhor de Steven Spielberg.
Diretor: Steven Spielberg.
Roteiro: Melissa Mathison.


"Tomates Verdes e Fritos"
Com uma história comovente e reflexiva, "Tomates Verdes e Fritos" é o típico filme de transformação. Mulher deprimida e seguindo a mesma rotina procura um algo mais e, em poucos dias, torna-se uma outra pessoa. Essa película poderia ser um filme comum, mais um em nossa estante, mas o diretor Jon Avnet propõe um novo tom e joga com a câmera proporcionando bons momentos, principalmente nos flash backs.
Diretor: Jon Avnet.
Roteiro: Fannie Flagg e Carol Sobieski.


Créditos: Você deve ter estranhado o fato de eu não citar pelo menos um filme de Alfred Hitchcook. Regados á suspense e adrenalina, eles encabeçariam as listas dos principais críticos especializados em cinema. Concordo com esses profissionais, mas o mestre tem, pelo menos, dez obras-primas e não se pode priorizar uma em detrimento da outra.

quarta-feira

Hum......


Caramba! Meu número da sorte mudou...

Por Rodrigo Capella*

Certa vez, ao abrir o armário de meu quarto e pegar uma peça de roupa, ouvi uma mensagem de alerta: "cartorze, catorze, catorze". Logo, adotei-o como meu número da sorte e até fiz um poema para homenageá-lo: "número da voz me disse / apesar da crença/ acredito na presença".

Carreguei esse número por mais de dez anos, apostando várias vezes na loteria e perdendo uma boa quantia em dinheiro. Fazia isso porque tudo me remetia ao número 14: a soma das letras de meu nome, o título da última novela das oito, uma frase dita pelo diretor Alfred Hitchcock.

Bastou um fim-de-semana em Barra Bonita para tudo isso mudar. Acompanhado por minha namorada, cheguei no dia 21 de abril e me hospedei no aconchegante Hotel Vitória, a poucos passos da Rodoviária. A recepcionista entregou-nos a chave do quarto 11. Guardamos as roupas e fomos almoçar, num restaurante que oferecia rodízio de carne. Lá, sentamos na mesa 11 e fomos muito bem atendidos.

Á tarde, retornamos ao Vitória para apanhar a máquina fotográfica e tirar algumas fotos da ponte Campos Salles, que em muito me lembrava a Hercílio Luz, imponente em Florianópolis (SC). Andando pelo calçadão, similar ao de Santos (SP), apreciamos o ar puro e atravessamos a rua para dar uma espiada na feirinha, que me remetia ás boas barras espalhadas pelo Masp, em São Paulo (SP). Comprei uma caneta e uma lapiseira ao custo de R$ 3, um interessante galo que mede a temperatura e uma camiseta da cidade para minha mãe.

Fomos em frente e andamos até encontrar o pedalinho, em forma de patos, e o teleférico, que nos levou ás alturas. De ponta a ponta, da rodoviária ao teleférico, Barra Bonita mostrou-se encantadora e sua população muito prestativa ao indicar os pontos turísticos com alegria.

Á noite, jantamos na Pizzaria Pizza & Tal para participar do lançamento do livro Além das Letras, organizado pelo amigo e poeta Sérgio Grigoletto. A mesa indicada pelo garçom foi a 11. Novamente, esse número insistia em aparecer. Pedimos uma pizza de queijo e presunto, comemos petiscos e experimentamos um delicioso vinho. Bem que a conta poderia ter dado 11 reais.

No dia seguinte, 22 de abril, fizemos o tradicional passeio de barco, conhecendo a casa de D. Pedro, as eclusas e algumas músicas sertanejas, que deveriam tocar em São Paulo. Na volta, corremos até a Rodoviária a fim de comprar duas passagens, as únicas á venda. Minha namorada escolheu uma, e fiquei com a restante. Impressionante! Adivinha qual era o número da poltrona?
(*) Rodrigo Capella é escritor, poeta e jornalista. Autor de diversos livros, entre eles "Transroca, o navio proibido", que será adaptado para os cinemas. Já adotou o 11 como novo número da sorte e espera ganhar na loteria. E-mail: contato@rodrigocapella.com.br.

domingo

Enquete


Por que lemos pouco?

Por Rodrigo Capella*

O brasileiro lê, em média, um livro por mês. Não se trata de uma estatística precisa, mas sim de um número calculado após muita observação.

Justificando: o tempo para lazer é relativamente curto e as pessoas têm poucos minutos para se dedicar á leitura e absorver os conhecimentos escritos, que podem ir desde a uma palavra nova até curiosidades sobre a vida de personagem históricos.

Nessa pressa do mundo globalizado, não é raro, portanto, encontramos homens e mulheres olhando fixamente para o livro enquanto se penduram num ônibus lotado ou devorarem páginas e páginas na sala de espera do dentista ou ainda sentarem no banco da praça e dedicarem algum tempo do almoço para virar duas páginas e interpretar algumas figuras.

O esforço é louvável, embora insuficiente. Na Europa, lê-se três livros por mês, totalizando trinta e seis ao ano, um número bem expressivo perto da marca brasileira que, quando muito, chega aos doze anuais.

Por que o brasileiro lê pouco? A preguiça é o principal fator e, normalmente, vem associada ao desinteresse pela leitura. Como desculpa, dizem que o tempo para lazer é curto. A população e os críticos literários assimilaram essa informação com tal força e sustentam como se ela fosse verdadeira, enganando a todos e estagnando um processo vicioso.

Está na hora de uma verdadeira revolução no mundo das letras, com propostas e metas bem definidas. O livro deve estar sempre ao lado do abajur, na mesa da sala, do lado do computador. Ele, em poucas palavras, deve ser incorporado ao cotidiano dos brasileiros.

Motivo: a leitura estimula a imaginação, auxilia o homem a buscar soluções para os problemas do mundo e, de quebra, constrói um país de leitores, característica que, infelizmente, anda muito em falta por aqui e dificilmente será mudada.

A preguiça agradece e parece estar enraizada no povo brasileiro, que sonha em ser primeiro mundo, mas esquece que a transformação começa no primeiro parágrafo de um livro.

(*) Rodrigo Capella é escritor e poeta. Autor de vários livros, entre eles "Como mimar seu cão" e "Transroca, o navio proibido", que será adaptado para os cinemas.

sexta-feira

Além das letras


Passei o feriado de Tiradentes na cidade de Barra Bonita, participando do laçamento da antologia Além das Letras, organizada pelo amigo e poeta Sérgio Grigoletto. A pizzaria Pizza & Tal abrigou o lançamento e acolheu muito bem os poetas, que comeram na beira do Rio Tiete. No ivro, eu publiquei o meu a Chuva, Chuva, Fuja!, que está reproduzido abaixo.
Chuva, Chuva, Fuja!
Raio de brilho omisso,
terra, de mim desgastada,
entre ofícios e ócios,vida apagada.
Tempo de ternura e agonia,
vento com chuva carregada,
prefiro momento controlado,
vida,
tempo confiscado.
Quadro sem luz,
caminho tortuoso de moral.
Ternura, aonia,
fuja,
enquanto é carnaval.

domingo

Latir, latir - Parte 2

Atendendo a pedidos, publico aqui a dica número 1 do meu livro Como mimar seu cão, lançado recentemente pela Editora Zouk. Essa é a dica mais comentada pelos leitores:

Conversar

Seja o psicólogo do seu cão. Converse com ele. A conversa deve durar no mínimo duas horas e deve ser diária. Ela é muito importante. Conversando com o cão, podemos ajudá-lo a encontrar soluções para os mais variados problemas. Stress, cansaço e depressão são os mais comuns.

Se o cão apresenta stress, sugira que ele faça atividades alternativas como caminhada e natação. A prática desses exercícios torna a mente mais sadia e relaxada. Se ele apresenta cansaço, sugira que durma mais de dez horas por dia. Uma preguicinha de três horas na parte da tarde também é aconselhável. O cão irá recuperar as energias e estará apto o suficiente para trabalhar no dia seguinte.

Agora, se ele queixa-se de depressão, sugira que tente buscar novos caminhos. Atividades diferentes são sempre bem-vindas. Um emprego novo, amizades diferentes ou até mesmo uma viagem para o exterior. Porque não? Caso esses conselhos não acrescentem melhoras no comportamento do animal, procure um analista. Acredite, esses profissionais podem mudar a vida de seu cão.

terça-feira

vamos latir, latir.....

Amigos, apresento-lhes a dica 39 do meu livro Como mimar seu cão:


“Vivemos numa globalização cada vez mais intensa. As pessoas precisam divulgar seus trabalhos, façanhas, conquistas e realizações. Somente dessa forma obterão o reconhecimento justo dos demais seres humanos. Com os animais funciona diferente? Não, mas com a diferença de que eles têm a necessidade de informar aos outros sobre detalhes íntimos. Número de filhos, quantidade de pêlos, cor dos olhos e se ronca ou não. Por que tudo isso? Os outros cães precisam saber como o seu amigo é fisicamente e psicologicamente, para só assim decidir se vão gostar ou não dele.

Portanto, comece a planejar um site para o seu cão. Se não tiver tempo, contrate um bom profissional, pois há muitos no mercado. Selecione um material diversificado e interessante sobre o cão, como cartas, vídeos, desenhos, figurinhas, bonecos e brinquedos em geral. Fotografe tudo nos mínimos detalhes e coloque no site. Isso ajudará, e muito, a carreira artística de seu amigo. Se é que ele pensa em ser um artista (pensa)?”
Maramar

Por Rodrigo Capella*

Mar,
A vida é mar,
Amar a vida,
Sem Ter pressa.


De encontrar
O seu destino,
Meu amor,
Se faz menino.


Reflete o Dom,
Da matemática,
Da inspiração,
De um punhado de ação.


Do encontrar,
Alguém,
No mar.


Reflete o som,
Do borbulhar,
seu jeito de amar.


(*) Rodrigo Capella é poeta, escritor e jornalista. Autor de diversos livros, entre eles "Enigmas e Passaportes", "Como mimar seu cão" e "Transroca, o navio proibido", que será adaptado para os cinemas. E-mail: contato@rodrigocapella.com.br

domingo

Um conto.......

Deus, obrigado por ter criado as mulheres

Por Rodrigo Capella*

Corria pelas estreitas calçadas de São Paulo rumo ao Parque do Ibirapuera. O calor era intenso e a camiseta vermelha fazia-me transpirar mais ainda, como se eu estivesse dentro de um caldeirão. Opa! Bem que podiam cozinhar uma loira junto comigo, de preferência sorridente, gostosa e acompanhada por uma latinha de cerveja.
Exibia o meu corpo atlético, conquistado após quinze anos de terapia ocupacional e seis meses de academia. Pela primeira vez, sentia-me confiante, um verdadeiro Deus Grego. Mulheres de vários tipos olhavam pra mim, porém só as feias, que pareciam ter saído do Largo da Batata, é que mexiam comigo. Que maldição! Não devia ter malhado tanto.

- Nossa, que lindo - dizia uma delas.
- Queria um desse lá em casa - disparava a outra.

Ajeitava o cabelo, tirava o suor da testa e dava um sorriso. Que raiva, eu estava gostando daquele chamego. Mas, um solteiro como eu precisava de um bom partido. Continuei correndo! Pensava em muitas coisas: o pneu do carro furado, minha mãe rolando pelas escadas de incêndio, meu irmão passando mal após comer uma coxinha de calabresa.... Pensava em tudo, queria distância daquelas feiosas. "Saiam, saiam, antes que eu chame a carrocinha", disse alto, como se tivesse um megafone nas mãos.

Por falar em cachorro, não poderia esquecer de Brutus. Orelhudo e pulguento, o miserável miava em vez de latir. Miauuu-AU!! Ele chegou em casa com dois meses. Não, Brutus não veio sozinho, tive que buscá-lo no pet shop. Aos poucos, o pequeno animal foi adquirindo outras formas. Pica-pau roedor de móveis, rato comedor de queijo, lesma preguiçosa....

Um cão com crise de identidade? Era só o que faltava. Já bastava o dono. Tomei uma decisão drástica, uma das mais difíceis de minha vida. Por que não mimar o meu cachorro? Minha mãe fez isso comigo, por que não ia funcionar com o Brutus?

A primeira ação foi a de criar um site para ele. Optei pelo www.cachorrorebelde.au Afinal, ele precisava se acalmar um pouco e eu tinha que me ocupar. Qual o solteiro que não gosta de passar horas e horas na frente de um computador?

Aos poucos, Brutus se transformou. Os pêlos ficaram mais brilhantes, parecendo a peruca da Elke Maravilha. Seu rabo ganhou vida própria, achando que era um helicóptero. Brutus mostrou-se mais calmo, sorria várias vezes ao dia e até dava cambalhotas. Nossa, eu estava conseguindo mimar o cachorro.
Ainda rumo ao Parque Ibirapuera, eu corria, corria e as vozes das feiosas continuavam a me perseguir, aterroziando os meus pensamentos:

- Nossa, que lindo - dizia uma delas.
- Queria um desse lá em casa - disparava a outra.

Fingia que não era comigo e continuava correndo, sonhando, lembrando de quando mimava o Brutus. Depois de criar o site, comecei a assistir televisão com ele, mas Brutus não gostava de novelas brasileiras. Mudamos de canal, ele detestou as mexicanas e preferimos alugar alguns filmes. Depois de ver Os 101 Dálmatas, Brutus latia sem parar, levantava as patinhas e se mexia de um lado para o outro, mostrando-se um verdadeiro ator. Ele queria estar em Hollywood.

Mas, o danado continuava a comer o meu chinelo e achei que ele precisava de um pouco de música, talvez clássica. Optei pela quinta sinfonia de Beethoven. O cachorro se acalmava por alguns minutos, mas logo começava a roer tudo novamente. Eu devia ter dado a maçã da Branca de Neve pra ele.

- Nossa, que lindo - dizia uma das feiosas.
- Queria um desse lá em casa - disparava a outra.

Olhei para o lado e as mulheres estavam me seguindo. Nossa, que coisa maluca! Olhei para o chão e vi o Brutus. As feiosas estavam apontando para ele. Ufa! Fiquei bastante contente. Aqueles elogios eram para o Brutus e não pra mim. Deus, obrigado por ter criado os cachorros.

*Rodrigo Capella é escritor, jornalista e poeta. Autor de vários livros, entre eles "Como Mimar Seu Cão" e "Transroca, o navio proibido". Pretende se livrar do Brutus, mas está indeciso. Afinal, nada melhor do que o "melhor amigo do homem" para salvar o escritor dos apuros. E-mail: contato@rodrigocapella.com.br

O que vem em 2006???


Cálice 2006

Por Rodrigo Capella*

Acenaram-me da calçada,
era um cálice de vinho,
com lenço branco e úmido,
sorriso nas hastes,
pedia amor.


Sonhador, como sou, imaginei-me em seus braços.
beijando-lhe o rosto,
enroscando-me aos lados.
Apertando-lhe os lábios,
desejando-me pudor.


Ah! Que vontade de amar,
tocar e ser desejado.


Que vontade de ser amado,
de acordar e dividir o lençol,
de tomar café com meu cálice.


Ah! Acho que eu seria mais feliz,
seria um homem completo.
Sem perder a esperança,
eu aceno para o cálice,
e ele se vai.


Admiro-o com um simples olhar,
acho que acabei de me apaixonar.


(*) Rodrigo Capella é poeta, escritor e jornalista. Autor de diversos livros, entre eles "Como mimar seu cão" e "Transroca, o navio proibido", que em breve será adaptado para os cinemas. E-mail: contato@rodrigocapella.com.br

segunda-feira

Au au au au....


Amigos, apresento-lhes a dica 39 do meu livro "Como mimar seu cão":

"Vivemos numa globalização cada vez mais intensa. As pessoas precisam divulgar seus trabalhos, façanhas, conquistas e realizações. Somente dessa forma obterão o reconhecimento justo dos demais seres humanos. Com os animais funciona diferente? Não, mas com a diferença de que eles têm a necessidade de informar aos outros sobre detalhes íntimos. Número de filhos, quantidade de pêlos, cor dos olhos e se ronca ou não. Por que tudo isso? Os outros cães precisam saber como o seu amigo é fisicamente e psicologicamente, para só assim decidir se vão gostar ou não dele.
Portanto, comece a planejar um site para o seu cão. Se não tiver tempo, contrate um bom profissional, pois há muitos no mercado. Selecione um material diversificado e interessante sobre o cão, como cartas, vídeos, desenhos, figurinhas, bonecos e brinquedos em geral. Fotografe tudo nos mínimos detalhes e coloque no site. Isso ajudará, e muito, a carreira artística de seu amigo. Se é que ele pensa em ser um artista (pensa)?"

quarta-feira

Atendendo pedidos...


Dicas para escrever um livro

Por Rodrigo Capella*

Durante todos esses anos, a humanidade vem cultivando a idéia de que o homem precisa plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. A árvore você já deve ter plantado na escola, durante o primário, quando as "tias" (leia-se professoras) levavam os alunos ao jardim e lá davam as orientações de como colocar a semente na terra. O filho deve estar agora ao seu lado, jogando vídeo game ou brincando com o cachorro, que provavelmente se chama Rex ou Bob. Mas e o livro?

Depois que publiquei o meu primeiro romance policial, intitulado Enigmas e Passaportes, meus amigos e familiares não pararam de me perguntar se existe uma fórmula adequada para se escrever uma obra literária. Em todas as ocasiões, eu respondi que os textos não seguem regras ou leis, mas podem ficar melhor se algumas dicas forem colocadas em prática. Vamos a elas!

Antes de pegar o lápis e uma folha de papel, determine o público que você pretende atingir. Ele é normalmente dividido, pelas editoras, em infantil, juvenil e adulto. Reflita e não tenha pressa para fazer a escolha adequada. Uma decisão mal tomada no início do processo pode compromoter todo o resto do trabalho.

Os grandes autores de nossa literatura sempre tiveram a preocupação de direcionar as suas obras. Monteiro Lobato, por exemplo, escreveu vários textos para crianças. Já Pedro Bandeira soube, como ninguém, atingir os adolescentes ao criar os Karas, grupo de jovens que investigam mistérios e estão presentes em vários livros do autor.

Depois de definir o público, a próxima etapa é encontrar uma idéia diferente, algo que ainda não exista em nossa literatura. Pode ser um personagem ousado, como fez Machado de Assis ao nos apresentar um narrador-morto em Memórias Póstumas de Brás Cubas; um tema surpreendente, seguindo o exemplo de Marcelo Rubens Paiva ao narrar o próprio acidente em Feliz Ano Velho; ou ainda uma linguagem diferenciada, tal como eu fiz em Como mimar seu cão, um dos primeiros livros a tratar o assunto canino por uma ótica humorística e fantástica.
Como ter uma boa idéia? Olhe ao seu redor, observe os pássaros e perca alguns minutos estudando o jardim. Ela pode estar mais próxima do que você imagina. Que tal escrever sobre o Dia Mundial do Livro, comemorado em 23 de abril? Essa pode ser uma grande idéia.

Num próximo passo, você precisa definir o gênero do livro. Pode ser romance, conto, crônica, poesia e biografia, entre outros. O romance é constituído, normalmente, por um texto longo, dividido em capítulos. O principal representante brasileiro é o já citado Machado de Assis, que nos presenteou com ótimas obras, como Dom Casmurro e Quincas Borba.

Já a crônica e a poesia são compostas por textos curtos. A primeira, muito bem explorada por Carlos Heitor Cony, analisa o cotidiano. A Segunda, imortalizada nas mãos de Drumond de Andrade, procura demonstrar sentimentos, normalmente, através de rimas. Mostrando-se, então, muito diferente da biografia, que narra acontecimentos e feitos de uma pessoa. Ruy Castro, com sua linguagem particular, consegue facilmente encantar os leitores interessados em personagens a la Carmem Miranda.

Após definirmos o gênero, público e idéia, chegou a hora de estabelecermos uma linguagem adequada para ser utilizada na obra. Isso é fundamental para uma boa leitura do livro e também para garantir um volume de vendas considerável. O Código Da Vinci, por exemplo, só fez sucesso porque apresentou um texto apropriado para o público alvo.

Antes de elaborar uma linguagem, pense no leitor e questione se ele vai entender o que está escrito. Crianças gostam de palavras fáceis e textos curtos, adolescentes têm necessidades de conhecer textos provocadores e com palavras novas, e adultos, na maioria da vezes, preferem textos mais rebuscados.

Pronto! Agora você está preparado para escrever as primeiras linhas. Consulte sempre um dicionário, formule frases explicativas para guiar o leitor e não esqueça de descrever bem os personagens, destacando as características marcantes, como uma cicatriz ou um cabelo azul.

Quando terminar a obra, leia e releia o texto, sem pressa. Veja se o conteúdo dele interessa ao leitor, questione mais uma vez se o público vai entender o que está escrito. Se a resposta for negativa, tranque o material numa gaveta e comece do zero. É melhor errar agora do que receber várias negativas e a obra não ser publicada.

(*) Rodrigo Capella é escritor, poeta e jornalista. Autor de vários livros, entre eles "Enigmas e Passaportes", "Transroca, o navio proibido" e "Como mimar seu cão". Dúvidas e sugestões: contato@rodrigocapella.com.br